Estudos
Choque séptico pediátrico: como ocorre
17 de março de 2020

O choque séptico pediátrico, ou sepse grave, é uma condição rara causada pela sepse. Ele se dá quando agentes infecciosos (como fungos, vírus e bactérias) entram na corrente sanguínea e colocam a vida do paciente em risco. 

A doença é grave, pois já é o estágio avançado de uma infecção. A medida que a infecção avança pelo organismo, as células de defesa projetam uma reação inflamatória sistêmica para tentar impedir o progresso do corpo estranho. O problema é que quando o organismo responde dessa maneira, ele pode acabar se prejudicando.

O choque séptico é um dos principais responsáveis pela mortalidade e morbidade infantil. Segundo estudo conduzido pelo ILAS em 2016, a expectativa de ocorrência de sepse no Brasil vai de 400 a 500 mil casos por ano – e mais da metade desses casos (55%) tem como resultado o óbito.

De acordo com especialistas, há uma infinidade de motivos que explicam esse quadro problemático. O primeiro deles é a falha na atenção primária à saúde. O resultado é o desconhecimento da população, que somente busca ajuda clínica quando a infecção já está muito avançada.

Por outro lado, os hospitais brasileiros estão muito mal preparados para realizar um diagnóstico diligente em emergência. Se o choque séptico não é tratado de forma ágil e assertiva, as chances de óbito são altíssimas.

Por isso, conheça as primeiras indicações de diagnóstico e tratamento do choque séptico pediátrico em UTI.

choque séptico pediátrico

O choque séptico pediátrico em terapia intensiva

O tempo é o principal fator quando se trata da reversão da sepse grave. O paciente nesse estado tem todo o organismo comprometido: a pressão sanguínea cai perigosamente e, por consequência, a oxigenação dos órgãos fica prejudicada.

Portanto, analisar o quadro geral da criança ao chegar na triagem é o primeiro passo para salvá-la. 

Triagem

Baixa pressão, calafrios; corpo pálido e gelado;dificuldade respiratória; desorientação; falta de ar severa; confusão mental; perda de consciência; vômito; diarreia e enjoos são sintomas muito indicativos dasepse grave.

Além disso, o choque séptico pediátrico, especificamente, apresenta como sintomas:

  • Pele muito fria, azulada, pálida e manchada;
  • Desmaios longos e frequentes;
  • Respiração rápida e descompassada;
  • Convulsão.

Tratamento

O tratamento da sepse grave em terapia intensiva pode incluir diversas fases. A primeira hora de intervenção médica é crucial. O objetivo é restaurar a via aérea, a ventilação, a oxigenação, a perfusão periférica, a pressão arterial e a frequência cardíaca.

É esperado, após os primeiros 60 minutos de tratamento, que a consciência, a pressão arterial, o débito urinário, a concentração de cálcio ionizado e a glicemia estejam normalizados. 

Além disso, os pulsos centrais e periféricos devem estar normais e as extremidades – como mãos e pés – aquecidas. É esperado também que o enchimento capilar periférico seja igual ou menor do que 2 segundos.

Após a primeira hora, espera-se um quadro de estabilização. Dessa forma, a consciência deve estar normalizada; a pressão de perfusão ajustada para a faixa etária; a frequência cardíaca normal; o pulso normal; o débito urinário saudável; ânion gap; INR e lactato adequados.

Deve-se também prezar pela monitorização constante, realizar a ressuscitação volumétrica e suporte hemodinâmico.

O choque séptico pediátrico é um problema que pode ser combatido com mais força na atenção primária à saúde e nas Unidades de Tratamento Intensivos, por meio de diagnóstico precoce assertivo e mobilização agressiva. Continue a acompanhar o site e os artigos doblogSomitipara mais conteúdos como esse. Siga-nos também nas redes sociais – Facebook e Instagram – para não perder novos artigos!

Filie-se

Faça parte da Associação Mineira e aprimore seus conhecimentos.

Compartilhar:
Gostou?

Confira outros conteúdos como esse:

Geral
20 de agosto de 2020
Quiz #112: infecções causadas por Clostridium difficile

Pronto para mais um quiz Somiti? Hoje vamos falar sobre infecções causadas por Clostridium difficile. Para explicar sobre o assunto, convidamos a Dra. Maria Aparecida Braga. Ela é coordenadora de cursos da Somiti; cardiologista; intensivista; MBA em gestão de negócios pela Fundação Getúlio Vargas; e doutora em medicina pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). […]

Notícias
19 de janeiro de 2022
Simpósio Ligami – Errata Edital
Notícias
19 de março de 2020
American Heart Association sugere mudanças dos procedimentos de segurança para os cursos
Notícias
26 de novembro de 2020
Prova de Título de Especialista em Medicina Intensiva – Adulto 2020