Quiz Somiti
QUIZ – Choque misto e abordagem contemporânea do choque
31 de março de 2026

Pergunta

Em relação ao termo “choque misto” na prática clínica atual, qual afirmação está mais alinhada com a abordagem contemporânea do choque na terapia intensiva?

Alternativas

  1. A) O termo “choque misto” deve ser evitado porque quadros com mais de um mecanismo de choque praticamente não existem na prática.
  2. B) O termo “choque misto” foi oficialmente substituído por “choque distributivo” nas principais diretrizes internacionais.
  3. C) O termo permanece útil, pois descreve precisamente a combinação de choque séptico e cardiogênico em muitos pacientes críticos.
  4. D) O termo é reservado exclusivamente para pacientes com choque hemorrágico associado à insuficiência cardíaca direita grave.
  5. E) O termo “choque misto” é pouco específico e a tendência atual é descrever o fenótipo hemodinâmico predominante (vasoplégico, cardiogênico, hipovolêmico ou obstrutivo) com seus componentes associados.

Definição de SICM

O termo SICM refere-se à Sepsis-Induced Cardiomyopathy (ou Sepsis-Induced Myocardial Dysfunction), isto é, disfunção miocárdica aguda induzida pela sepse, geralmente transitória, caracterizada por redução da contratilidade sistólica e/ou diastólica de um ou ambos os ventrículos, habitualmente reversível em 7–10 dias quando o paciente sobrevive.

Gabarito

Alternativa correta: E.

Comentários das alternativas

  1. A) Incorreta. Quadros com mais de um mecanismo de choque são comuns na UTI (por exemplo, séptico + cardiogênico, vasoplégico + hipovolêmico, obstrutivo + cardiogênico). O problema não é a raridade desses casos, e sim o fato de o rótulo “choque misto” ser pouco específico para guiar a terapêutica.
  2. B) Incorreta. As classificações atuais continuam descrevendo quatro grandes mecanismos – hipovolêmico, distributivo/vasoplégico, cardiogênico e obstrutivo. Nenhuma diretriz substituiu formalmente “choque misto” por “choque distributivo”; a mudança é de enfoque, preferindo descrever o fenótipo/componente predominante e os mecanismos associados.
  3. C) Incorreta. A combinação de choque séptico com componente cardiogênico é frequente, mas a abordagem moderna recomenda especificar o fenótipo, por exemplo: “choque vasoplégico predominante com componente cardiogênico por SICM”, em vez de usar apenas o rótulo amplo “choque misto”.
  4. D) Incorreta. Não há qualquer base em diretrizes ou revisões para reservar o termo “choque misto” exclusivamente para choque hemorrágico associado à insuficiência de ventrículo direito. É uma afirmação propositalmente equivocada.
  5. E) Correta. A literatura recente considera o termo “choque misto” pouco específico e defende descrever o fenótipo hemodinâmico predominante (vasoplégico, cardiogênico, hipovolêmico ou obstrutivo) e os componentes associados, o que orienta melhor a priorização terapêutica.

 

Autoria e contato

Dr Elton Henrique Alves

Intensivista Titulado pela AMIB

Cardiologista Titulado pela SBC

Coordenador UTI SCM Piumhi-MG

Raciocínio clínico no paciente crítico

Grupo WhatsApp “Além da UTI” – acessar pelo QR code fornecido.

Referências (resumidas)

L’Heureux M, et al. Sepsis-induced cardiomyopathy: a comprehensive review. Curr Cardiol Rep. 2020.

Habimana R, et al. Sepsis-induced cardiac dysfunction: a review of pathophysiology. Acute Crit Care. 2020.

Aissaoui N, et al. Sepsis-induced cardiomyopathy. Eur Heart J. 2025.

Lv X, et al. Pathophysiology of sepsis-induced myocardial dysfunction. Mil Med Res. 2016.

Standl T, et al. The nomenclature, definition and distinction of types of shock. Dtsch Arztebl Int. 2018;115(45):757-764.

Jentzer JC, et al. Mixed cardiogenic-vasodilatory shock: current insights and future directions. JACC Adv. 2024;4(1):101432.

Lambden S, et al. Definitions and pathophysiology of vasoplegic shock. Crit Care. 2018;22:174.

Vallabhajosyula S, et al. Management of post-cardiotomy shock. US Cardiol Rev. 2024.

ESICM. Guidelines on circulatory shock and hemodynamic monitoring in critically ill patients (update 2025).

Standl T, et al. Tipos de choque na prática clínica. Editora Pasteur.

SanarMed. Choque: definição, tipos, quadros clínicos e manejo inicial. 2025.

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