O papel essencial da nutrição em pacientes graves
A nutrição adequada é um dos pilares fundamentais para a recuperação de pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). O estado crítico é marcado por uma forte resposta inflamatória, estresse por disfunções orgânicas, polifarmácia, imobilização, dentre outros fatores. Todos eles somam ao hipemetabolismo e ao hipercatabolismo, acarretando em perda de massa muscular e comprometimento do estado nutricional.
Um suporte nutricional eficiente ajuda a preservar a massa magra, melhorar a resposta imunológica e acelerar o processo de cicatrização. Além disso, contribui para a redução de complicações infecciosas e do tempo de ventilação mecânica.
Segundo guideline ESPEN (2019), caso a nutrição oral não seja possível, a terapia nutricional enteral deve ser iniciada nas primeiras 48 horas da admissão em UTI, levando-se em consideração a estabilização hemodinâmica.
Nutrição enteral e parenteral: vias e estratégias nutricionais
Escolha adequada da via de administração nutricional
A via enteral é preferida sempre que o trato gastrointestinal está funcional, por manter a integridade da mucosa intestinal e reduzir a incidência de infecções. A nutrição enteral é feita através de sonda nasogástrica, nasoentérica, orogástrica, oroentérica, gastrostomia e jejunostomia, permitindo o fornecimento de nutrientes de forma contínua.
A nutrição parenteral é indicada para pacientes que possuem via gastrointestinal impossibilitada de ser utilizada e como parte da terapêutica em certas doenças que necessitem de repouso intestinal e/ou pancreático, podendo fornecer todos os nutrientes ou atuar como nutrição suplementar.
A nutrição parenteral é uma solução estéril de nutrientes, infundida via endovenosa. Embora eficaz, exige monitoramento rigoroso devido aos riscos de infecção e distúrbios metabólicos.
Referência útil:Calixto-Lima, Larissa et al. Manual de nutrição parenteral, 2010.
Avaliação nutricional individualizada e monitoramento constante
Importância da análise contínua do estado nutricional
A desnutrição hospitalar é uma condição grave e prevalente, o que aumenta o tempo de permanência hospitalar. Durante a internação em UTI geralmente ocorre alteração do estado nutricional que pode interferir na qualidade de vida, na capacidade funcional e, até mesmo, no desfecho clínico dos pacientes críticos.
Assim, a avaliação oportuna do estado nutricional é essencial. Por isso, recomenda-se que todo paciente em estado crítico, que permaneça por mais de 48 horas em terapia intensiva, seja considerado em risco de desnutrição.
Além disso, o monitoramento deve ser contínuo durante toda a internação. Destacando-se que a parâmetros rotineiramente relacionados ao estado nutricional como IMC, circunferências e determinados exames como albumina, não se associam ao estado nutricional de pacientes críticos. Recomenda-se realizar o monitoramento por balanço energético, ureia, avaliação do trato gastro-intestinal, condição clínica do paciente, dentre outras possibilidades,
Referência útil:Schulman RC, Mechanick JI. Can nutrition support interfere with recovery from acute critical illness? World Rev Nutr Diet. 2013.
Nutrição e reabilitação pós-UTI
O papel da alimentação na recuperação funcional
Mais pacientes estão sobrevivendo na UTI e sendo transferidos para enfermarias, para reabilitação e finalmente para suas casas. Depois de sobreviver à fase aguda, eles enfrentam desafios nutricionais adicionais ao serem estabilizados.
Os pacientes que recebem alta da UTI frequentemente estão desnutridos e seu suporte nutricional é prejudicado pela limitação da ingestão oral por diversos fatores, como ventilação não invasiva, disfagia e dificuldades para determinar as metas energéticas e proteicas. A fraqueza adquirida na UTI deve ser reconhecida e pode ser minimizada por uma melhor ingestão energética, ingestão proteica ideal e atividade física.
A importância da administração de energia, proteínas e micronutrientes deve ser enfatizada para melhorar a qualidade de vida a longo prazo, tão prejudicada após internação prolongada na UTI.
Leia mais:The post ICU trajectory: Post acute and post ICU nutritional care. Singer, Pierre Clinical Nutrition ESPEN, Volume 64, 441 – 446, 2024.
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