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UTIs neonatais: capacitação é o caminho
30 de abril de 2018

A vice-presidente da Sociedade Mineira de Terapia Intensiva (Somiti), Amarilis Batista Teixeira, alerta para os dados apresentados durante o 7º.Simpósio Internacional de Reanimação Neonatal, realizado em abril, em Foz do Iguaçu, que desnudam as condições do atendimento nas maternidades e UTIs neonatais brasileiras.

Atualmente o Brasil conta com 9,9 mortes neonatais para cada um mil nascidos vivos, e é considerado como o 108º pior país para os recém-nascidos dentre as 184 nações envolvidas, segundo a Unicef. Além disso, a distribuição do atendimento especializado é desigual: apenas a região sudeste concentra mais da metade (53%) do total das UTIs neonatais, enquanto a região norte possui apenas 6% dos leitos. Houve aumento do número de leitos para assistência ao RN de alto risco, conforme apresentado no Simpósio, mas ainda é necessária uma adequação. De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a proporção ideal de leitos de UTI Neonatal deve ser, no mínimo, quatro leitos para cada grupo de mil nascidos vivos.

Por meio do Programa de Reanimação Neonatal, a entidade orienta que em todo parto haja a presença de um pediatra. “O trabalho do pediatra neonatologista, intensivista neonatal, treinado neste primeiro minuto da vida, liderando uma equipe de outros profissionais, seguindo protocolos pré-definidos, é de fundamental importância, para se alcançar um atendimento da melhor qualidade, estabilização mais rápida do recém nascido e transporte adequado para a UTI neonatal. O trabalho multidisciplinar continua na UTI, com o seguimento do neonato pós reanimação, até a alta. Esses passos são fundamentais para redução da mortalidade neonatal e sobrevida com melhor qualidade. A Somiti apoia esta iniciativa”, afirma Teixeira.

Segundo a especialista, precisamos lutar para diminuir a mortalidade neonatal, reduzir os índices de prematuridade e a desigualdade na distribuição do atendimento especializado. Para ela, o engajamento dos profissionais na capacitação e qualificação da equipe, desde o atendimento à gestante no pré-natal, parto, até ao recém-nascido, os investimentos no setor, com gestão e planejamento estratégico adequados para promoção de melhorias na infraestrutura das maternidades, levando em consideração a hierarquização e regionalização dos atendimentos no setor são imprescindíveis nesta luta contra a mortalidade neonatal.

De acordo com a vice-presidente da Somiti, “lidamos todos os dias com algo muito precioso: vidas! A Somiti apoia e incentiva a disseminação do conhecimento sobre o cuidado do neonato ao nascer, a capacitação profissional com treinamento a cada dois anos, a luta para que problemas como a falta de leitos de UTI Neonatal, e que falhas na gestão sejam resolvidas”. Apoia ainda a Campanha Nascimento Seguro, lançada pela SBP durante o Simpósio em Fóz do Iguaçu: “O nascimento seguro e um início de uma vida saudável são o coração do capital humano e do progresso econômico de um país. O nascimento de um filho é um momento único, muito esperado, e a chegada de um bebê prematuro ou doente é um choque para os pais. O nascimento prematuro, o desfecho fatal, com abrupta interrupção desta espera, deste laço afetivo pais/filho, não são apenas mais números piorando a estatística. É a interrupção de um projeto, do sonho de uma família.

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