Pancreatite aguda, como identificar?

No Curso para Residentes e Especializandos em Medicina Intensiva (Cremi) do dia seis de novembro, o intensivista Renan Murta de Andrade Almeida ministrou aula sobre 'Pancreatite Aguda', tema importante para os profissionais que trabalham nas emergências e terapia intensiva.

A relevância do tema justifica-se por estar entre as doenças mais comuns do trato gastrointestinal e que demanda alto gasto financeiro. A incidência mundial varia de 4,9 a 73,4 casos por 100 mil habitantes. Nos últimos estudos, observa-se um aumento da incidência dessa doença. “Há uma alta prevalência dessa patologia na população. Além disso, há uma alta morbidade e mortalidade. A maioria das formas se apresenta na forma leve, cuja mortalidade é baixa”, explica o intensivista.

Há várias causas para a pancreatite aguda, sendo as principais a alcóolica e a biliar. Cada uma representa aproximadamente 45% das causas, proporção que varia dependendo do país. A pancreatite aguda também pode ser causada por fatores idiopáticos e outras etiologias.

De acordo com o intensivista, bebedeiras de final de semana não são suficientes para causar pancreatite aguda alcoólica. Para isso ocorrer, é necessário um histórico de pelo menos 5 anos de etilismo, com consumo diário de 50ml de bebida alcoólica por dia.

Pacientes com suspeita de pancreatite aguda devem passar pelo ultrassom, exame eficaz para detectar pancreatite aguda biliar. Se a causa da pancreatite não for alcóolica nem biliar, se não houver hipertrigliceridemia e se o paciente em questão tiver mais de 40 anos, deve-se cogitar a hipótese de um tumor ou de algum diagnóstico raro.

O principal sintoma da pancreatite aguda é a dor abdominal. Cabe ao profissional de saúde caracterizar bem essa dor. “Assim como há dores típicas de doenças cardíacas, há dores típicas da pancreatite aguda”, diz.

São as características dessa dor: intensa, tem início rápido mas não abpruto, constante, no andar superior do abdômen, pode ou não se irradiar e tipicamente é acompanhada de náusea ou de vômito. Cerca de 50% apresenta-se em faixa com irradiação para o dorso, podendo também irradiar para o tórax ou flancos.

A pancreatite biliar tende a se iniciar de forma aguda, ser mais bem localizada e epigástrica. Já a pancreatite alcoólica tende a se iniciar de forma menos aguda e ser mal localizada.

Ainda estão entre os sinais clínicos da pancreatite a distensão abdominal, sinais de resposta inflamatória sistêmica (SIRS), sinais de Cullen (hematoma periumbilical) e Grey Turner (hematoma em flancos).

Se ainda existir incertezas quanto ao diagnóstico do paciente, deve-se solicitar exames complementares e/ou tomografia para concluí-lo.

Dor descrita como insidiosa, acompanhada por cólica ou no andar inferior do abdômen não é característica de pancreatite aguda. Em casos de pacientes com esse sintoma, deve-se considerar diagnósticos diferenciais.

Nem todo caso de pancreatite virá acompanhado de necrose do tecido pancreático, embora uma boa parte das pessoas com pancreatite a apresente. Quando isso acontece, o diagnóstico tanto da necrose como da sua infecção devem ser feitos em vista de suas implicações terapêuticas.

Cerca de 20% dos casos de pancreatite evoluem para a forma grave. Esse paciente precisa ser reconhecido, uma vez que precisará de terapia intensiva e monitorização.

Não se deve fazer diagnóstico da pancreatite baseado apenas em exames complementares. O diálogo entre médico e paciente é muito importante, além do diagnóstico clínico da pancreatite. Sinais que possam sugerir a forma grave da pancreatite não devem ser passados despercebidos, além de considerar que a pancreatite é uma doença caracterizada por fases.

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