Infecção do trato urinário é tema do Cremi

'Infecção do Trato Urinário' (ITU) foi o tema da aula do Curso Somiti para Residentes e Especializandos em Medicina Intensiva (Cremi), ministrado pela médica intensivista Camila Armond Isoni, na terça-feira do dia 4 de setembro, na Associação Médica de Minas Gerais (AMMG).

A médica aponta que doentes imunossuprimidos, mulheres, gestantes, diabéticos e pacientes que usam sondagem vesical de demora apresentam risco elevado de desenvolver infecção urinária, doença que possui sérias complicações. “A infecção urinária pode desencadear o quadro de sepse, resposta inflamatória grave que tem um alto índice de mortalidade”, alerta.

A propósito, os dados apresentados no módulo são preocupantes. A ITU é responsável por 40% das complicações infecciosas em doentes hospitalizados. Dentro das UTIs, a ITU representa 23% das infecções e, em 97% dos casos, está associada ao uso de cateteres urinários.

Diante desse quadro, o profissional de saúde, principalmente aquele que trabalha no departamento de urgência e emergência, precisa saber diferenciar os pacientes que são potencialmente graves – ou seja, aqueles que apresentam fatores de risco como imunossupressão ou histórico de cálculo renal – daqueles pacientes que dão indício que estão caminhando para o quadro de sepse.

“O profissional de urgência e emergência deve fazer o sofa (escore que avalia gravidade e chance de mortalidade do paciente) e, assim, indicar a unidade de terapia intensiva de maneira mais precoce para o paciente, além de introduzir o antibiótico na primeira hora”, orienta Dra. Camila.

Além do diagnóstico precoce e do rápido encaminhamento ao CTI, medidas que estabilizam o quadro de ITU, a médica intensivista destaca que o cateter vesical de demora deve ser retirado dos pacientes de Terapia Intensiva o mais rápido possível, medida que contribui para a qualidade de vida. “Isso diminui a incidência de delírios e o risco de infecção associada ao cateter, comum no ambiente de terapia intensiva”, diz.

Pacientes com ITU que apresentam sofa igual ou maior que 2, alterações de estado mental e/ou pressão sistólica menor que 100 devem ser encaminhados ao ambiente de terapia intensiva, visto que o quadro desses pacientes tende a evoluir.

 

Estudante de medicina atenta-se ao ITU

Paula Kac, aluna do 8º período de Medicina da Faculdade de Ciências Médicas (FCMMG), estava entre os alunos presentes no módulo. Ela destaca que todo profissional de saúde deve saber o básico sobre a ITU e demonstrou-se impressionada com a incidência desse mal. “Qualquer generalista já encontrou algum caso de paciente com os sintomas apresentados, por isso achei que foi uma das aulas mais relevantes”, diz.

 A estudante atenta-se ao fato de que as infecções podem mudar todo o curso da doença e do tratamento pelo qual o paciente está passando. “É preciso fazer um diagnóstico rápido e tão logo iniciar o tratamento”, alerta. “Estando no CTI, com cateter e por terem doenças que aumentam o risco por si só, é preciso pensar que o quadro da ITU pode sofrer pioras”.

 

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