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Técnica reduz risco de morte no tráfico

29 de julho de 2010

Fonte: Faculdade de Medicina da UFMG

A técnica de “cirurgia para controle de danos”, desenvolvida pelo professor João Baptista de Rezende Neto, do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da UFMG, pode garantir a vida de vítimas de traumatismos, inclusive ferimentos gerados pela violência do tráfico de drogas.

A técnica mostrou-se eficaz no controle de hemorragias em pacientes vítimas de lesões provocadas por tiro na face. Realizada no Hospital Universitário Risoleta Tolentino Neves (HRTN), é utilizada quando há hemorragias graves, nas quais o controle do sangramento não é conseguido e o paciente apresenta risco de morte.

“A cirurgia de controle de danos no trauma é composta de três etapas: na primeira, tratam-se os problemas que provocarão a morte imediata do paciente e interrompe-se a cirurgia. Posteriormente, o paciente é encaminhado ao centro de tratamento intensivo para melhorar as condições clínicas. Na terceira fase, a cirurgia é terminada definitivamente. Nesses pacientes graves, quando a cirurgia é realizada em uma única etapa, a vítima geralmente morre”, conta o também coordenador do setor de cirurgia e trauma do Hospital Risoleta Tolentino Neves.

O procedimento foi descrito no artigo Damage Control Principles Applied to Penetrating Neck and Mandibular Injury (Princípios de Controle de Danos Aplicados para Penetrar Lesões no Pescoço e Mandibular), publicado no Journal of Trauma em 2008.

Perfil dos pacientes
Segundo o professor, os pacientes atendidos com tiros na face são, geralmente, homens entre 20 e 40 anos, envolvidos no tráfico de drogas. No “código” do tráfico, usa-se atirar na boca como forma de represália, o que não é raro. Esses traumatismos causam hemorragias de difícil contenção, além de obstruir as vias aéreas, impedindo a passagem de ar. Por esse motivo, os pacientes apresentam um risco eminente de morte, o que torna impossível a cirurgia de reconstrução da face.

A técnica
Para conter a hemorragia, são introduzidos na cavidade da ferida cateteres do tipo Foley, existentes em qualquer hospital. Segundo o professor João Baptista, as sondas têm um balão na extremidade que, quando colocado dentro da ferida e inflado com soro fisiológico, faz pressão nos vasos sanguíneos, estancando a hemorragia. “Após 24 a 36 horas, o balão é esvaziado, a sonda é retirada e o sangue já está completamente estancado”, comenta.

Enquanto o procedimento é realizado, o paciente respira por meio de traqueostomia, método pelo qual o ar entra direto na traquéia, utilizado quando não é possível respirar pelo nariz ou pela boca. Após esse procedimento, então, o paciente pode ser levado para fazer a cirurgia de reconstrução da face. Em todos os pacientes, o resultado foi satisfatório e a face pode ser completamente reconstruída pelo cirurgião plástico Aluísio Marques, da equipe de cirurgia plástica do HRTN.

 

 

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